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RELATO HISTÓRICO

O Trapiche do porto da Barra do Itapemirim, hoje município de Marataízes, Estado do Espírito Santo, foi obra e propriedade do Barão de Itapemirim e nele trabalhou como gerente o seu filho Joaquim Marcelino. Não mais convindo ao Barão continuar com o Trapiche, vendeu-o o Manoel Ferreira Braga Martins, que nele já servia como guarda livros. Na compra, este veio a associar-se a Simão Rodrigues Soares, que veio a ficar como único dono. Em 1883, Simão inaugurou o transporte a vapor com o rebocador São Simão e o novo Trapiche possuía a mais bem montada oficina mecânica do Estado. Funcionava no Trapiche o escritório da alfândega, que controlava o fluxo dos vapores que subiam o rio Itapemirim transportando café, açúcar e outros gêneros agrícolas.  O porto da Barra era o escoadouro natural dos produtos da região e a entrada dos primeiros colonizadores do nosso Estado entre 1860 e 1883. O Trapiche abrigou toda a produção de açúcar, aguardente e café que em 1852 era superior a cem mil arrobas por ano, o equivalente a mil e quinhentas toneladas. Após viajar meses, chegavam ao Trapiche tropas de Minas Gerais trazendo fumo em rolo e toucinho de fumeiro e levavam sal e querosene. Por este natural porto secular, entraram os trilhos da Estrada de Ferro Itapemirim que acelerou a riqueza e o progresso de toda a região. A estrutura do antigo armazém manteve-se em condições de recuperação até1988, quando um incêndio destruiu a maior parte do prédio, que apresenta características arquitetônicas de influência eclética do final do século XIX.

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